Iphan e UFMS articulam estudos para tombar três parques de Cerrado em Campo Grande
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Iphan e UFMS articulam estudos para tombar três parques de Cerrado em Campo Grande

01 de novembro de 2026 3 min de leitura 2 visualizações
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O Iphan pediu apoio da UFMS para estudos que embasem o tombamento nacional do Parque dos Poderes, do Parque Estadual do Prosa e do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. O primeiro colóquio foi em 26 de outubro.

Os três parques somam centenas de hectares de Cerrado no meio da capital. O Parque dos Poderes tem 255,3 hectares, dos quais cerca de 193 são reserva ecológica e vegetação nativa. O Prosa tem cerca de 135 hectares e o Parque das Nações Indígenas, 116,4 hectares, integrado ao Prosa.

O encontro na UFMS reuniu o órgão federal, pesquisadores e sociedade civil. Segundo o superintendente do Iphan em MS, João Henrique dos Santos, o pedido de tombamento, feito em 2023 por movimentos sociais, ainda precisa ser complementado.

O que falta no pedido

De acordo com Santos, a documentação ainda não define com precisão as áreas a proteger nem reúne informações suficientes sobre os valores históricos, arquitetônicos, arqueológicos, sociais e antropológicos. Os argumentos ambientais, segundo ele, são os mais desenvolvidos.

Os perímetros do Prosa e das Nações Indígenas já estão definidos. No Parque dos Poderes, a delimitação pode seguir o traçado original, dos anos 1980, ou incluir o acesso à Assembleia Legislativa e a região da Academia de Polícia. A complementação cabe aos autores do pedido.

Cerrado, aves e água da chuva

Os parques são um dos últimos remanescentes de Cerrado e Mata Atlântica da região e abrigam mais de 230 espécies de aves, além de espécies endêmicas e ameaçadas de fauna e flora. A bióloga Vivian Almeida Assunção, do SOS Parque dos Poderes, lembra que, por ficarem na parte alta da cidade, essas áreas permeáveis ajudam a infiltrar a água da chuva e a prevenir alagamentos.

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Ela cita preocupação com a verticalização do entorno e com o assoreamento do lago do Parque das Nações Indígenas, que voltou a acumular sedimentos após uma intervenção para removê-los, e divulga um abaixo-assinado contra grandes empreendimentos perto dos parques.

O papel da universidade

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMS, Júlio Bottega, afirmou que professores e estudantes de História e Ciências Sociais também participam. A equipe vai estudar paisagem, edifícios e traçado urbano e viário, e os resultados devem ser entregues ao Iphan no próximo ano.

O Parque dos Poderes teve participação inicial dos arquitetos Sérgio Bernardes e Roberto Burle Marx. O projeto previa dez edifícios, dos quais nove foram construídos.

O que muda na prática

Por ora, nada muda: não há tombamento e os estudos só serão apresentados ao Iphan em 2027. Se o pedido avançar, as áreas passam a ter proteção nacional, o que pode condicionar obras no entorno.

Fontes

Colóquio na UFMS (26/10/2026), conforme reportagem do Campo Grande News; falas do Iphan/MS, da UFMS e do SOS Parque dos Poderes.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato

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