Safari no Pantanal: os animais que encontramos em Miranda e tudo que você precisa saber para viver essa experiência
Fauna do Pantanal

Safari no Pantanal: os animais que encontramos em Miranda e tudo que você precisa saber para viver essa experiência

02 de fevereiro de 2022 7 min de leitura 0 visualizações
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Tem experiências que mudam a forma como você enxerga o lugar onde vive. O safari no Pantanal é uma delas.

Escolhemos a região de Miranda, Portal do Pantanal, como base para a nossa imersão — e o que encontramos ao longo de dois dias foi além do que qualquer roteiro poderia prometer. Chalana deslizando por corixo coberto de alface-d’água (Pistia stratiotes), jacarés-do-pantanal se escondendo entre as plantas aquáticas, felinos surgindo na escuridão durante a focagem noturna. O Pantanal entregou tudo — e a gente estava lá para receber.

O começo: de chalana pelo corixo

O passeio começou sobre a água. Numa chalana, a embarcação tradicional do Pantanal, começamos a explorar os corixos da região de Miranda enquanto o sol ainda estava baixo. As águas, cobertas de alface-d’água, escondiam jacarés-do-pantanal que mal apareciam na superfície. A sensação de flutuar num ambiente tão vivo e tão silencioso ao mesmo tempo é difícil de descrever, é o tipo de coisa que só o Pantanal oferece.

Ainda em cima da chalana, as aves já começavam a aparecer. Com mais de 460 espécies registradas no bioma, o Pantanal é um dos paraísos do birdwatching no Brasil, e a nossa experiência confirmou isso logo no primeiro momento.

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As aves da chalana

Três espécies chamaram atenção já no passeio de barco:

O martim-pescador (Megaceryle torquata) surgiu voando rente à água, com aquele bico enorme e inconfundível e o chamado estridente que anuncia a chegada antes mesmo de ser visto. Ave que nidifica em buracos em barrancos às margens de rios e córregos, é presença garantida nos corixos da região.

A cegonha tabuiaiá (Ciconia maguari) impressionou pelo porte: pode medir até 1,4 m de altura e ter envergadura de mais de 2 m. Quando jovem tem plumagem escura, que vai se mesclando com o branco conforme cresce. A pele exposta avermelhada entre o bico e o olho amarelo é um dos detalhes que ninguém esquece depois de ver de perto. Alimenta-se de invertebrados aquáticos, crustáceos, anfíbios, cobras e peixes.

O gavião-belo (Busarellus nigricollis) completou o trio: fácil de identificar pela plumagem marrom-ferrugínea que faz contraste com a cabeça branca e o colar preto na garganta. Como a tabuiaiá, frequenta as margens de lagos, rios e pântanos — e o corixo de Miranda ofereceu as condições perfeitas para o avistamento.

A focagem noturna: quando o Pantanal acorda de outro jeito

O momento mais inesquecível do safari veio depois que o sol se foi.

A focagem noturna é uma técnica de observação de fauna que usa lanternas ou faróis direcionados para as margens da estrada ou do rio, revelando os animais que têm hábitos noturnos — e que raramente aparecem durante o dia. É silenciosa, lenta e cheia de surpresas.

Logo no início do percurso de carro, encontramos o tapiti (Sylvilagus brasiliensis), o coelho do Pantanal, que se alimenta de cascas, brotos e talos de plantas. Discreto, sumiu rapidinho entre a vegetação.

Pouco depois, a noite entregou algo que a gente não esperava tão cedo: uma jaguatirica, o terceiro maior felino das Américas. Solitária entre os arbustos, ela ficou parada nos olhando de volta — com aquela calma de quem sabe exatamente quem manda ali.

Continuando, apareceu o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), também chamado de lobinho. Costuma vagar em pares e, quando se separa do companheiro, mantém contato por latidos de alta frequência a longas distâncias. Uma das espécies mais charmosas da fauna pantaneira.

E então veio a surpresa da noite: a onça-parda (Puma concolor), o segundo maior felino das Américas. Ficou à distância, desconfiada, nos observando com atenção antes de se dissolver de volta na escuridão do mato. Foi um encontro rápido — mas daqueles que ficam.

O amanhecer e os mamíferos do dia

Com o sol voltando, o Pantanal mostrou uma cara diferente, mas igualmente generosa.

O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) foi presença constante ao longo de todo o passeio. É o maior cervídeo da América do Sul, podendo chegar a 2,1 m de altura incluindo a galhada, mas apenas os machos têm chifres, que caem e voltam a crescer a cada ano. Vê-los caminhando pela beira do rio no alvorecer é um daqueles momentos que justificam a madrugada para sair de casa.

Depois veio o macaco-prego (Sapajus nigritus) — e não era um só. O grupo estava nas árvores próximas, tímidos no começo, mas foram ficando à vontade com a nossa presença até dar para observá-los bem de pertinho, com toda a agilidade e curiosidade que caracteriza a espécie.

E claro: as capivaras marcaram presença. Seria um safari no Pantanal sem elas?

As aves que completaram o cenário

Ao longo de todo o safari, as aves foram presença constante — e algumas mereceram atenção especial.

A garça-real (Pilherodius pileatus) surgiu imponente às margens dos corixos. O tuiuiú (Jabiru mycteria), ave símbolo do Pantanal, apareceu em diferentes momentos do passeio — um encontro que nunca perde a emoção por mais vezes que aconteça. O gavião-preto (Urubitinga urubitinga) pousou em galho alto, observando tudo de cima com aquela soberba característica das aves de rapina.

Entre as mais avistadas ao longo dos dois dias, a curicaca, o cafezinho (Jacana jacana), a maria-faceira (Syrigma sibilatrix), as araras-canindés e as emas completaram um repertório de avistamentos que qualquer birdwatcher ficaria orgulhoso de registrar.

O que levar para fazer safari no Pantanal

Preparação faz parte da aventura. Para aproveitar ao máximo — e com conforto — uma imersão como essa, alguns itens são indispensáveis:

Protetor solar e repelente — o sol e os insetos do Pantanal não perdoam quem não se protege, especialmente nos passeios de barco, onde não há sombra.

Roupas leves e de cores neutras — verde, bege, cinza e marrom ajudam a não assustar os animais. Evite branco e cores vivas.

Binóculo — essencial para observar aves e mamíferos à distância sem perturbar o comportamento natural dos animais. Para safari e birdwatching, modelos 8×42 ou 10×42 são os mais recomendados.

Câmera ou celular com boa lente — os encontros acontecem rápido e muitas vezes com pouca luz (especialmente na focagem noturna). Esteja sempre pronto.

Água em quantidade — hidratação constante é indispensável, especialmente nos passeios mais longos e nas horas de maior calor.

Consciência ambiental — nada de lixo no mato. Tudo que você leva, você traz de volta.

Por que Miranda é a base certa para o safari

Miranda não é apenas um ponto de passagem, é uma das melhores portas de entrada para o Pantanal sul-mato-grossense. A região concentra fazendas e pousadas especializadas em safari fotográfico, passeios de chalana, focagem noturna e observação de onças, com guias locais experientes que conhecem os ritmos e os hábitos da fauna pantaneira.

A proximidade com o rio Miranda, um dos lugares mais reconhecidos do mundo para avistamento de onças-pintadas, coloca a região num patamar especial para quem quer vivenciar o Pantanal com profundidade.

Confira os destinos verificados do Aquele Mato na região do Pantanal.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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