Em 41 anos, a Mata Atlântica de MS perdeu 184 mil hectares — e a soja avançou 536%
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Em 41 anos, a Mata Atlântica de MS perdeu 184 mil hectares — e a soja avançou 536%

22 de setembro de 2026 3 min de leitura 4 visualizações
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Enquanto o Brasil celebrava o Dia da Árvore, o MapBiomas divulgou os dados da Coleção 11 com um retrato duro do nosso estado: entre 1985 e 2025, a Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul perdeu 184 mil hectares de vegetação nativa — queda de 19,5% em relação ao que existia há quatro décadas. No mesmo período, a soja cresceu 536%.

Os dados foram divulgados no domingo (21) e reacendem o debate sobre o avanço da fronteira agrícola sobre um dos biomas mais ameaçados do Brasil — que em MS ainda guarda fragmentos valiosos na Serra da Bodoquena e no Cone Sul.

O que os números revelam

O mapeamento do MapBiomas para a Mata Atlântica de MS mostra que as florestas foram o alvo principal da transformação: a cobertura florestal caiu 30%, com 152 mil hectares perdidos. A vegetação herbácea e arbustiva recuou outros 31 mil hectares.

Em contrapartida, a agropecuária hoje ocupa 72,44% da área total do bioma em MS. A soja saltou de 149 mil para 946,5 mil hectares — crescimento de 536%. A cana-de-açúcar cobre 321,7 mil hectares, ou 8,6% da área total.

O único dado que ameniza o cenário é o recuo das pastagens: caíram 52%, de 2,19 milhões para 1,05 milhão de hectares. Isso reflete, em parte, a conversão para lavouras — não necessariamente regeneração florestal.

A Bodoquena guarda o que ainda resta

A Serra da Bodoquena concentra o que há de mais relevante da Mata Atlântica em nosso estado. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em 2000, protege 76,4 mil hectares onde o bioma se encontra com o Cerrado, o Pantanal e o Chaco — uma confluência rara no planeta.

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É dessa transição que nascem os rios que sustentam o ecoturismo de Bonito: o Rio Formoso, o Rio Sucuri, o Rio da Prata. A vegetação nativa mantém a filtração natural que dá às águas a transparência que todo mundo conhece. Perder floresta aqui não é só perder árvore — é comprometer o aquífero que sustenta a economia regional inteira.

No Cone Sul, o mosaico do Rio Paraná ancora mais de 1 milhão de hectares entre o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (73.345 ha), a APA das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná e reservas particulares.

Regeneração existe — mas segue frágil

Um dado positivo: a vegetação secundária (áreas que estão se regenerando) representa 32% da cobertura nativa em 2025, crescimento expressivo desde 2005, quando era 22%.

Mas a coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, Natalia Crusco, alerta para o contrafluxo: entre 2021 e 2025, o bioma perdeu 1,2 milhão de hectares nativos no Brasil inteiro — e 60% dessa área era de vegetação em regeneração. O que voltava a crescer voltou a ser derrubado.

O que isso muda para quem visita Bonito

Para o ecoturismo da Serra da Bodoquena, os dados do MapBiomas são um alerta de longo prazo. A qualidade dos rios cristalinos depende diretamente da cobertura vegetal nas nascentes e margens — o Código Florestal chama isso de Área de Preservação Permanente (APP), e sua integridade é o que separa a transparência dos rios de uma água turva.

Cada ingresso em Bonito sustenta, em parte, o argumento de que a natureza intacta vale mais de pé do que convertida em lavoura. Conservar, aqui, é um bom negócio para todos.

Fontes: MapBiomas Coleção 11 (mapbiomas.org) · IMASUL · Campo Grande News, 21/09/2026  

aquelemato
Colaborador · AqueleMato

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