MS quer licenciar mais rápido e fiscalizar por mais tempo com nova lei ambiental e o Siriema 2.0
Conservação & Meio Ambiente

MS quer licenciar mais rápido e fiscalizar por mais tempo com nova lei ambiental e o Siriema 2.0

02 de julho de 2026 4 min de leitura 1 visualizações

Nova lei de licenciamento ambiental de MS promete licenças mais rápidas e monitoramento contínuo das empresas — entenda o que muda com o Siriema 2.0.

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O Governo de Mato Grosso do Sul deve encaminhar à Assembleia Legislativa, nos próximos dias, um projeto de lei que moderniza toda a legislação estadual de licenciamento ambiental — em vigor desde 2001.

A proposta adequa as normas do nosso estado às mudanças trazidas pela nova legislação nacional de licenciamento ambiental, aprovada em 2025, e muda o foco do processo: em vez de concentrar esforços só na emissão da licença, o Estado passa a investir também no acompanhamento contínuo dos empreendimentos depois de autorizados.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (30) pelo governador Eduardo Riedel (PP), durante o lançamento do Siriema 2.0 (Sistema Imasul de Registros e Informações Estratégicas do Meio Ambiente), nova versão da plataforma digital usada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para gerir os processos ambientais do estado.

Reprodução: agência de notícias do governo

Uma mudança de conceito, não só de prazo

“A mudança é de conceito. O empreendedor passa a ter uma atuação muito mais proativa durante o processo e o Imasul ganha muito mais ferramentas para monitorar o empreendimento depois de licenciado. O foco deixa de ser apenas conceder a licença e passa a ser acompanhar efetivamente o que acontece após a autorização”, afirmou Riedel.

Segundo o governador, a modernização foi precedida por três anos de investimentos em tecnologia, inteligência artificial e integração de bases de dados dentro do Imasul — o que já permite substituir parte da burocracia documental por mecanismos de acompanhamento permanente das atividades licenciadas.

O que muda na prática

A base tecnológica que sustenta o novo modelo é o próprio Siriema 2.0, que reúne num único ambiente digital módulos como CAR (Cadastro Ambiental Rural), Licenciamento Ambiental, Licenciamento Florestal, Fiscalização, Monitoramento e Controle, Recursos Hídricos, Pesca, SISEA (Sistema Estadual de Meio Ambiente) e até o gerenciamento do Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres).

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Um dos avanços mais concretos é a substituição do Sisla — sistema usado havia mais de 18 anos para as análises geográficas do órgão — pelo Sisgeo (Sistema de Análise Geoespacial), que promete análises territoriais mais precisas e maior integração entre bases cartográficas.

Ferramentas de inteligência artificial também devem assumir parte do trabalho hoje feito manualmente pelos analistas ambientais, como a conferência de documentos cadastrais, contratos sociais e anotações de responsabilidade técnica.

“Pela nova legislação, o empreendedor passa a assumir uma responsabilidade ambiental muito maior sobre seu empreendimento. O papel do Estado deixa de ser apenas emitir a licença e passa a acompanhar continuamente o desempenho ambiental dessa atividade. O nosso objetivo é fazer a gestão ambiental do território”, explicou o diretor-presidente do Imasul, André Borges.

Segundo Riedel, o Estado já tem desempenho de licenciamento acima da média nacional, mas a expectativa é reduzir ainda mais o tempo de emissão das licenças com a nova legislação associada à tecnologia — sem abrir mão do reforço na fiscalização.

“A ideia é construir um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico, mas absolutamente responsável do ponto de vista ambiental. O Estado passa a ter instrumentos para identificar rapidamente qualquer irregularidade ou ilegalidade no empreendimento”, disse o governador, que citou o desempenho de Mato Grosso do Sul no combate ao desmatamento ilegal como referência nacional.

O gargalo, segundo o Estado, não está só no Imasul

Um ponto que chama atenção nas declarações do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, é que boa parte da demora atribuída ao órgão ambiental, segundo ele, na verdade acontece fora dele.

Cerca de 90% dos processos que geram reclamações estariam parados aguardando complementações técnicas de consultorias ambientais contratadas pelos próprios empreendedores — não pelo Imasul.

“Há casos em que o Imasul aponta dez pendências e a consultoria responde apenas uma, deixando as demais para depois. Isso prolonga a análise e prejudica o próprio empreendedor”, afirmou Falcette, que defende um “cadastro positivo” das empresas de consultoria que atuam junto ao órgão, como forma de elevar o padrão técnico do setor.

Serviço

O projeto de lei já concluiu a elaboração técnica e está em ajustes finais na Consultoria Legislativa antes de seguir para a Assembleia Legislativa, o que deve ocorrer no início de julho. A implantação completa do Siriema 2.0 está prevista para a segunda quinzena de agosto — cronograma pensado para coincidir com a tramitação da nova lei, de forma que marco legal e nova tecnologia entrem em vigor de forma integrada.

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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