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Racismo em Mato Grosso do Sul

Passou da hora de darmos atenção à nossa história, lutar contra formas de opressão e acabar com o racismo em Mato Grosso do Sul.

Oi, Mateiro. Hoje o papo é bem sério e necessário: o racismo em Mato Grosso do Sul.

Pois é, não é raro a gente se deparar com um discurso que desrespeita quem busca por igualdade e luta contra formas de opressão.

Certamente, com o racismo em Mato Grosso do Sul não é diferente.

Dessa forma, cada vez mais pessoas se sentem livres pra desqualificar a luta do povo negro de MS.

Por isso, buscamos um pouco da história das comunidades negras de Mato Grosso do Sul.

Então, bora falar um pouco do racismo que ainda permeia nosso povo.

Comunidades negras de Mato Grosso do Sul

Pra começar, as comunidades negras que aportaram no sul de Mato Grosso chegaram a partir do final do século 19.

Entretanto, eles tinham poucos recursos.

Provavelmente obtidos em suas terras de origem ou por meio de exploração de lavouras a partir de contratos divididos.

Ou ainda empregados em suas terras de origem ou na região para onde migraram.

Logo, eles acabaram se tornando escravos.

Porém, algumas interpretações da nossa história entendem que o trabalho escravo quase não tinha relevância.

Às vezes, dizem que ele nem existia.

Isso em regiões onde a economia era pautada, principalmente, na criação de gado.

Assim, muitos documentos históricos que indicariam a presença de escravos em todas as regiões do antigo Mato Grosso desapareceram com os anos.

Então, foi só com a Constituição Federal de 1988 que as comunidades quilombolas tiveram o direito de titulação do seu território reconhecido.

Dessa forma, esse foi o primeiro momento em que essas comunidades tiveram voz.

Assim, acarretando em direitos legais.

Porém, ainda não foi suficiente para terem políticas públicas que as contemplassem, de fato.

MS teve manifestações contra direitos territoriais quilombolas

Pois é, isso aconteceu!

Em primeiro lugar, o órgão responsável pelo reconhecimento, identificação, delimitação e titulação dos territórios quilombolas é a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

Ou seja, o Incra de Mato Grosso do Sul.

Assim, o Incra/MS iniciou a realização de estudos fundiários em áreas reivindicadas por comunidades quilombolas, em 2007.

Isso conforme o professor e escritor Carlos Alexandre Barboza Plínio dos Santos.

Em seguida, se dá o absurdo.

Em resumo, veio uma onda de manifestações incentivadas por instituições contrárias aos direitos territoriais quilombolas.

Dessa forma, a questão da identidade quilombola colocou em oposição o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHG/MS) e a Fundação Palmares.

Isso porque, em 2008, o instituto emitiu parecer afirmando não reconhecer a presença de núcleo remanescente quilombola em Mato Grosso do Sul.

Enquanto a fundação certificou várias comunidades como sendo de remanescentes quilombolas.

Ou seja, tudo isso causou um grande impacto na comunidades.

Pois reforçou o discurso das instituições e pessoas contrárias à causa quilombola.

É possível perceber que boa parte dos gestores da cidade desconhecem a história e a realidade das comunidades quilombolas.

Certamente, isso traz preocupação política e legal para quem vive ali.

Por isso, garantir o direito à titulação das terras quilombolas é tão importante.

Já que significa devolver às comunidades a possibilidade da permanência definitiva em seus territórios tradicionais.

Uma vez que o resultado é mais autonomia e conscientização de outros direitos garantidos por lei.

Logo, essa consciência vai transformar a realidade local.

MS possui 22 comunidades quilombolas

Atualmente, a Fundação Palmares reconhece em Mato Grosso do Sul 22 comunidades remanescentes de quilombos e que estão com passando por processos no Incra.

Elas estão distribuídas em 15 municípios:

  1. Aquidauana: Furnas dos Baianos;
  2. Bonito: Águas do Miranda;
  3. Campo Grande: São João Batista, São Benedito / Tia Eva e Chácara do Buriti;
  4. Corguinho: Furnas da Boa Sorte;
  5. Corumbá: Família Ozório, Família Maria Theodora Gonçalves de Paula e Campos Correia;
  6. Dourados: Dezidério Felipe de Oliveira – Picadinha;
  7. Figueirão: Santa Tereza/Família Malaquias;
  8. Jaraguari: Furnas do Dionísio;
  9. Maracaju: Colônia de São Miguel;
  10. Nioaque: Família Cardoso, Famílias Araújo e Ribeiro, Família Romano Martins da Conceição e Família Bulhões;
  11. Pedro Gomes: Família Quintino;
  12. Rio Brilhante: Família Jarcem;
  13. Rio Negro: Ourolândia;
  14. Sonora: Família Bispo;
  15. Terenos: Dos Pretos.

Não dá pra negar a nossa história

É importante ressaltar que falar que não houve a escravidão é negar a nossa história, que precisa ser reconhecida.

Inclusive, começando pela história da Tia Eva.

Inegavelmente parte essencial na fundação de Campo Grande.

Segundo historiadores, quando o mineiro José Antônio Pereira dos Santos chegou aqui a instalação de um quilombo.

Onde hoje fica a Comunidade Tia Eva.

No entanto, o reconhecimento de fundador da nossa cidade é do homem branco.

Assim, a história de Tia Eva não se estende além da própria comunidade.

Ou seja, com desenvolvimento desigual e com o povo negro historicamente marcado pela invisibilidade.

Mato Grosso do Sul tem quase 1 registro de injúria racial por dia

Dentro dessa estrutura, vemos aumentar os casos de injúria racial no Estado.

Pois, de 2018 a 2019, teve aumento de 16% no número de casos de injúria racial em MS.

Ou seja, quando alguém ofende o outro por suas características de fenótipo.

Por exemplo, como a cor da pele.

Esse é um dos resquícios da escravidão, que ainda traz o racismo e a desigualdade entre os povos.

Evoluímos, mas as estatísticas não diminuíram.

Inclusive, sendo o racismo evidente ou velado, denunciar é muito importante.

Para denunciar, use o Disque 100.

Este é um serviço de disseminação de informações sobre direitos de grupos vulneráveis.

Além de estar disponível para denúncias de violações de direitos humanos.

Pra finalizar, vamos lembrar que somos múltiplos.

Por isso, reconhecer o patrimônio cultural quilombola é essencial para a continuidade de sua reprodução cultural.

Afinal, é assim que podemos fortalecer a identidade deste grupo e o sentimento de pertencimento de seus moradores, com suas tradições e culturas.

Antes de mais nada então, bora ser antirracista!

Todo mundo junto na luta contra o racismo em Mato Grosso do Sul?

Agora comenta aí o que acha de tudo isso.

Compartilhe esse post pra levar nossa história cada vez mais longe.

A gente se vê!

Tchaau.


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