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Mato Grosso do Sul

Locuções e expressões do Pantanal

O nosso Pantanal é repleto de locuções e expressões próprias no vocabulário local e, por isso, a fala do habitante pantaneiro é tão peculiar.

Claro que o nosso Pantanal é repleto de locuções e expressões próprias no vocabulário, né, Mateiro?

Logo, você vai perceber que tudo se relaciona ao cotidiano de trabalho do homem pantaneiro, com locuções e expressões sempre ligadas à fauna, flora, objetos ou ações na vida cotidiana no Pantanal.

Lembrando para não levar este texto como uma pesquisa científica. 

A gente apenas ama o Pantanal e gosta de trazer algumas curiosidades para vocês.

Então, bora lá!

A fala do habitante do Pantanal

Como já falamos, o vocabulário do homem pantaneiro reúne uma diversidade que traz a maneira de pensar e de agir desse grupo. 

Pois, ao viver num mundo comandado pela natureza, as locuções e expressões pantaneiras perpetuam o bioma também por meio das palavras.

Ou seja, as locuções carregam elementos que remetem a aspectos do Pantanal.

Por exemplo, as seguintes locuções substantivas.

Pra começar: “Asa dura”.

Tal qual um pássaro, o avião possui asas, mas que não se movem. 

Depois, “Bicho do chão”, para designar a cobra, associando o comportamento do animal e o próprio animal.

Outra locução é a “Bola-pé”, que indica um váu, usada quando o rio está tão cheio que o cavalo mal pode atravessar sem nadar. 

Neste caso, dizem que o rio está de bola-pé.

Em seguida, temos a “Canela de ema”, que é um tipo de trança usada para ajudar na armação da laçada e reforçar o tirão.

Assim, o nome é por causa das características dessa planta típica do cerrado.

Ainda mostrando a flora presente nas locuções, “Carne verde” nomeia a carne que é fresca, remetendo à paisagem durante as chuvas. 

Em contrapartida, “Carne sentida” remete à época de seca da região.

Mais locuções do “idioma” pantaneiro

Continuando, um instrumento muito comum na lida com o gado é o relho, que é uma tira de couro torcido, usado para chicotear animais.

Porém, ele é chamado de “Língua de cobra”, provavelmente pela semelhança do objeto com a língua da cobra.

Além dessas, também temos locuções verbais, que funcionam como verbos simples. 

Por exemplo, a expressão “Dar ao João do mato”.

Pra começar a entender, o João-do-mato  é o símbolo da vegetação que nasce sem ser semeada e deve ser destruída.

Assim, ele aparece no momento em que a capina começa a chegar ao fim e, nesse momento, os capinadores o expulsam e o fazem abandonar as terras capinadas.

Ou seja, simboliza preguiça e talvez venha a associação que surja a locução, que significa deixar escapar um animal cuja carne é usada para alimentação. 

Também sinalizando o trabalho, temos as locuções “Fazer o rodeio” (reunir o gado no pasto), “Guardar o mato” (entrar correndo no mato atrás de um animal fujão), “Para rodeio” (encarar o perseguidor), “Plantar uma figueira” (cair do cavalo”).

Para qualificar uma música alegre, a locução que você vai usar é “ Limpa banco”.

Pois a música dançante tem o poder de animar as pessoas, fazendo-as se levantar do banco em que estão sentadas, para dançar!

Pra finalizar, estamos torados no grosso com o queimadô de campo.

Entendeu não? 

Assim, “Torado no grosso” é estar muito bravo e “Queimadô de campo” é alguém mentiroso ou que falta com a verdade.

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