10 plantas do cerrado, conhecer para preservar
Cerrado

10 plantas do cerrado, conhecer para preservar

16 de julho de 2026 6 min de leitura 0 visualizações

Composto por uma rica flora, no cerrado se encontram mais de 500 espécies arbóreas, mas aqui vamos destacar 10 tipos de ampla distribuição no estado.

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Muito além de galhos retorcidos, a savana mais biodiversa do mundo esconde uma verdadeira farmácia, um buffet de sabores exóticos e os maiores “influencers” visuais da nossa região.

Se você olhar o Cerrado de longe, na época da seca, pode até achar que ele é meio “sem graça” ou cinzento. Mas não se engane: a nossa savana é o lar de mais de 11 mil espécies de plantas nativas. É uma biodiversidade tão rica que faz do Cerrado o berço das grandes bacias hidrográficas do Brasil e um dos biomas mais importantes do planeta.

Para celebrar essa riqueza (e te dar argumentos para defendê-la com dentes e garras), listamos 10 plantas icônicas do Cerrado que provam que nosso Mato é, na verdade, um verdadeiro tesouro vivo. Pega o seu tereré e vem com a gente!

1. Pequi (Caryocar brasiliense): o rei do Cerrado

Reprodução: cerratinga.org.br

Não dá para começar essa lista com outro. O pequi é a identidade do Cerrado em forma de fruto. Com seu amarelo inconfundível e aroma que divide opiniões (ou você ama, ou você odeia!), ele é a base da culinária regional.

  • O segredo dele: o pequizeiro é extremamente resistente ao fogo graças à sua casca grossa (cortiça).
  • Alerta de perigo: se você é de fora de MS ou de Goiás, lembre-se: pequi não se morde, se rói. Seus espinhos internos na semente não perdoam os desavisados!

2. Ipê-Amarelo (Handroanthus albus): o influencer do inverno

Quando o inverno chega e tudo parece seco e poeirento, o ipê resolve dar o seu show. Ele perde todas as folhas para florescer de forma explosiva, pintando o horizonte de amarelo, rosa ou branco.

  • Por que ele faz isso? Perder as folhas é uma estratégia de sobrevivência para não perder água pela transpiração durante a estiagem.
  • Para olhos: é a árvore símbolo do Brasil e o maior gerador de fotos espontâneas por metro quadrado em Campo Grande e Corumbá.

3. Buriti (Mauritia flexuosa) — Onde tem buriti, tem água

Se você está perdido no Cerrado e avista um buriti (aquela palmeira gigantesca com folhas em formato de leque), comemore! O buriti só cresce em áreas úmidas, ao longo de cursos d’água e nascentes (as famosas “veredas”).

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  • Super utilidade: do fruto se faz doces e um óleo riquíssimo em vitamina A. Das folhas, faz-se artesanato de primeira. Ele é a “árvore da vida” para os povos tradicionais.

4. Barbatimão (Stryphnodendron adstringens) — a farmácia em casca

Imagem da Wikipedia

Essa é a planta que toda avó respeita. O barbatimão é famoso por suas propriedades cicatrizantes, anti-inflamatórias e antissépticas.

  • Ciência no mato: o extrato da casca do barbatimão é tão poderoso que já é usado pela indústria farmacêutica em pomadas ginecológicas e cicatrizantes de alta eficácia. Uma verdadeira joia medicinal que cresce no nosso quintal.

5. Cagaita (Eugenia dysenterica) — gostosa, mas “perigosa”

Reprodução cerratinga.org.br

A cagaita é uma frutinha amarela, redonda e deliciosa, muito parecida com uma pequena ameixa. Mas ela carrega uma fama justa em seu nome científico (dysenterica).

  • Se você comer a fruta colhida diretamente do pé e ainda quente pelo sol, o efeito laxante é quase imediato. O segredo é colher e consumir fria ou usá-la em sorvetes e geleias deliciosas.

Você sabia? As raízes das árvores do Cerrado podem chegar a mais de 20 metros de profundidade! É por isso que chamamos o bioma de “floresta invertida”: o que está embaixo do solo é muito maior do que o que vemos por cima.

6. Jatobá-do-Cerrado (Hymenaea stigonocarpa) — o gigante de ferro

Reprodução sitiodamata.com.br

O jatobá é uma árvore imponente, com madeira de extrema dureza e longevidade. Seus frutos são vagens grandes e duras que guardam sementes envolvidas por uma farinha verde-clara super nutritiva.

  • Na cozinha: essa farinha de jatobá é usada para fazer bolos, pães e biscoitos com um sabor exótico e muita energia.

7. Chuveirinho (Paepalanthus polyanthus) — a estrela dos campos

Foto: Ramon Lamar

O chuveirinho (ou sempre-viva) é uma das plantas mais fotogênicas dos campos limpos do Cerrado. Ela parece uma pequena explosão de fogos de artifício presa a uma haste fina.

  • Curiosidade ecológica: mesmo depois de secas, as flores mantêm sua forma por anos, o que as tornou alvo de coleta predatória para decoração. Hoje, sua preservação é fundamental para proteger os polinizadores da região.

8. Araticum (Annona crassiflora) — o “panetone” do Cerrado

Foto Marcelo Kuhmann

Também conhecido como marolo, o araticum é um parente gigante da pinha ou fruta-do-conde. Ele nasce de uma árvore retorcida e seu fruto tem uma casca grossa e espinhosa, mas por dentro esconde uma polpa cremosa, perfumada e muito saborosa.

  • Rico em tudo: é uma excelente fonte de fibras, ferro e antioxidantes.

9. Murici (Byrsonima basiloba) — pequeno e poderoso

Reprodução museucerrado.com.br

“Murici, cada um cuida de si!” — o ditado popular faz piada com o nome dessa frutinha amarela e miúda. O murici tem um cheiro forte e característico (que lembra queijo para alguns!) e um sabor ácido e marcante. É a base de sucos, licores e picolés que refrescam o calorão do Centro-Oeste.

10. Guariroba (Syagrus oleracea) — o palmito amargo

Reprodução Senado

Diferente do palmito doce da Mata Atlântica (como o pupunha), a guariroba é uma palmeira do Cerrado que fornece um palmito de sabor marcadamente amargo.

  • Paixão regional: É ingrediente obrigatório no famoso “empadão goiano” e em saladas típicas da nossa região. É aquele tipo de sabor que você estranha na primeira garfada, mas depois não consegue mais viver sem.

Por que conhecer é a única forma de preservar?

O Cerrado é o bioma que mais sofre com o avanço rápido da agropecuária sem planejamento e com as queimadas descontroladas. Quando uma área de Cerrado é desmatada, não estamos perdendo apenas “mato seco”; estamos destruindo:

  1. Nosso estoque de água: o Cerrado abastece 8 das 12 grandes bacias hidrográficas brasileiras.
  2. O cofre de carbono: como vimos recentemente, suas raízes profundas estocam mais carbono por hectare do que muitas áreas florestais, ajudando a segurar as pontas contra o aquecimento global.
  3. Remédios e alimentos do futuro: espécies como o barbatimão e o jatobá ainda têm potencial científico gigante a ser descoberto.

Manter o Cerrado em pé é garantir que o nosso solo continue fértil, que nossas torneiras continuem com água e que nossa cultura gastronômica continue viva.

Qual dessas plantas você já conhecia ou já provou o fruto? Conta pra gente aqui embaixo!

aquelemato
Colaborador · AqueleMato
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